Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

MINIMALISMO
Resumido

12.1.14

[RESENHA] Punição para a inocência






Enquanto cumpria a pena pelo assassinato de sua mãe - um crime de que se dizia inocente - Jacko Argyle morre na prisão. Dois anos depois, surge um homem que possui um álibi para inocentar Jacko e fazer lembrar a todos que o crime ainda é parte daquela desgraçada família.




Devo confessar que essa é a primeira vez que leio um livro da Agatha Christie, apesar de ouvir falar muito dela. O que me chamou atenção nesse livro não foi apenas o fato da fama de Christie como a "dama do crime", mas também pelo título, que eu não entendi muito bem no principio.

Punição para a inocência nos apresenta de início o Dr.Calgary, pessoa responsável pela notícia que vai tirar a paz da família Argyle. Rachel Argyle foi assassinada há dois anos atrás e seu "filho" Jacko foi acusado pelo crime. Coloco a palavra filho entre aspas, porque, assim como todos os outros, Jacko era filho adotivo de Rachel, que era estéril.

Como a própria sinopse diz, Calgary tem um álibi perfeito que irá inocentar Jacko e desenterrar aquele assassinato que os Argyle tanto querem esquecer. Calgary, crendo que a notícia trará felicidade à família, percebe - um pouco tarde demais - que isso só fez com que todos desconfiassem um do outro, se perguntando quem seria o verdadeiro responsável por aquele crime. O interessante é que vamos percebendo que todos eles nutrem as suas mágoas por Rachel, ou seja, qualquer um podia ter cometido o crime.

O livro também nos revela como era a personalidade de Rachel Argyle. Seu maior sonho era ter filhos, era rica, tinha condições para criar muitas crianças, era casada, porém era estéril. Depois de muitos tratamentos caros e tentativas fracassadas para engravidar, Rachel abre o Recanto do Sol e cuida de crianças refugiadas da guerra. Algumas dessas tinham pais negligentes ou eram abandonadas, para logo depois serem adotadas por ela. Enfim, o desejo por filhos acabou se transformando em obsessão, de tal forma que Rachel não tinha mais tempo para o marido ou qualquer outra coisa que não dizia respeito aos seus filhos adotados.

A maioria tinha algum tipo de complexo, eram pessoas transtornadas em níveis diferentes, alguns deles com caráter duvidoso, como Jacko. Isso torna a leitura intensa, porque a cada vez que você suspeita de um personagem, outro apresenta algum comportamento estranho e você volta a ficar em dúvida. A gente nunca imagina quem é o verdadeiro assassino, apesar de parecer tão esperado que seja qualquer um deles. Não é como se o assassino fosse alguém que você jamais desconfiasse, porque todos eles são suspeitos em potencial.

Não somente os filhos como também o viúvo Leo Argyle era um suspeito. Depois das crianças, Rachel não lhe dava atenção nenhuma e os dois tinham deixado de ter uma vida como marido e mulher há muito tempo. Leo nunca desrespeitou Rachel e vice-versa, não havia brigas nem divergências, Rachel não lhe dava atenção e ele tampouco reclamava, e isso só fez com que o amor esfriasse. Ao mesmo tempo aparecia Gwenda Vaugham, a secretária jovem, bonita e dedicada, que acaba se envolvendo com Leo. E a lista de suspeitos não para por aí; há Kristen Lindstrom, uma espécie de governanta da casa, que é tão suspeita quanto todos os outros.

Punição para a inocência foi uma ótima leitura, diferente de todos os livros que já li deste gênero. Gostei da escrita de Christie e terminei bem rapidinho, até porque, ele é um daqueles livros que você começa a ler e não desgruda mais, de tão ansioso para saber como termina. Ah, e se alguém aí tiver outros livros da Agatha Christie que queiram indicar, a sugestão será muito bem vinda. hehe

— Significar — continuou Calgary, — que serão os inocentes que virão a sofrer... E os inocentes não devem sofrer. Só os culpados. É por isso... por isso que eu não posso lavar as mãos nessa questão. Não posso ir embora e dizer "Fiz o que era certo, o reparo que estava em mim fazer, servi à causa da justiça", porque o senhor compreende que o que eu fiz não serviu à causa da justiça. Não trouxe condenação ao culpado, não livrou os inocentes da sombra da culpa.