Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

MINIMALISMO
Resumido

25.10.14

[RESENHA] Morte Súbita

Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.
A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra.
Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos Pagford não é o que parece ser à primeira vista.A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.
Oláááá!
Morte Súbita gerou bastante expectativa, principalmente dos fãs de Harry Potter, visto que a autora da saga é autora do livro. Apesar de não ter alcançado as minhas expectativas, eu gostei da leitura, que é ótima, dependendo do que o leitor estiver procurando.

Pra quem gosta de distopias ou romances policiais com muita ação e cenas de tirar o fôlego, essa vai ser uma leitura bem monótona, porque o foco aqui não é exatamente a estória, no geral, como um todo, e sim os personagens e suas particulares vidas, personagens esses que são bem feitos e bem explorados no livro. Morte Súbita é escrito em terceira pessoa, e no prólogo, a primeira família nos é apresentada;os Fairbrother até então parecem estáveis e tranquilos, todo mundo parece saber o seu lugar ali e tudo parece bem, quando de repente, Barry morre.

"Parminder tinha horror de mortes súbitas. O definhar prolongado que muita gente tanto teme, era, para ela, uma perspectiva reconfortante; ter tempo para arrumar e organizar as coisas, tempo para se despedir..."

A notícia da morte de Barry Fairbrother se espalha como pólvora por toda Pagford e a primeira coisa que os Mollison, rivais declarados de Barry, pensam em fazer é arranjar um substituto para se sentar na cadeira que Fairbrother deixou vazia no Conselho, Miles Mollison. Miles é filho de Howard (que também faz parte do Conselho) e Shirley, e o seu casamento com Samantha não é lá dos melhores. Shirley não cansa de implicar com a nora e Miles parece ter esquecido que não é mais um menino vivendo na saia da mãe.

Toda a guerra entre os membros do conselho se dá ao fato de que Fields, um bairro nada tranquilo, saiu de Yarvil e foi anexado à Pagford, gerando - segundo a visão do que seria a direita política da cidade, representada pelos Mollison - gastos e custos desnecessários com medidas sociais de inclusão da população do bairro que em sua maioria é composta por drogados, mães solteiras que vivem com muitos filhos na miséria etc, etc.

Outras famílias - praticamente todas da estória - tem os seus conflitos internos, a maioria causados por alguma ferida do passado ou por questões relacionadas a auto-estima. Os filhos acabam pagando a conta e virando válvulas de escape para os pais, que jogam todas as frustações e problemas em cima deles, o que gera mais problemas relacionados a auto-estima e uma futura vingança por parte dos adolescentes, só que isso não vou contar porque é spoiler.

O que a gente percebe, no final das contas, é que todas essas pessoas estão ligadas e possuem algo em comum: experiencias traumáticas que se tornaram pontos fracos. Todo mundo ali quer parecer melhor, mais forte, mais frio, mais influente, no entanto todos possuem o mesmo nível de fragilidade e parecem necessitar igualmente, da aceitação dos outros.