Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

MINIMALISMO
Resumido

1.2.16

[RESENHA] A Guerra dos Tronos + SÉRIE

Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, aceita a prestigiada posição de Mão do Rei oferecida pelo velho amigo, o rei Robert Baratheon, não desconfia que sua vida está prestes a ruir em sucessivas tragédias. Sabe-se que Lorde Stark aceitou a proposta porque desconfia que o dono anterior do título fora envenenado pela manipuladora rainha – uma cruel mulher do clã Lannister. E sua intenção é proteger o rei. Mas ter como inimigo aos Lannister pode ser fatal: a ambição da família pelo poder parece não ter limites e o rei corre grande perigo. Agora, sozinho na corte, Eddard percebe que não só o rei está em apuros, mas também ele e toda a sua família,

Quem vencerá a guerra dos tronos?

Antes de começar a resenha de fato, é necessário situar as pessoas que não leram nem assistiram a série quanto aos pontos básicos da história: trata-se de uma série de cinco livros de fantasia (o sexto ainda está sendo escrito) ambientado num cenário a la Idade Média, com pelo menos umas sete famílias poderosas que dominam e dividem cada parte do continente Westeros de acordo com suas áreas de influência; as principais famílias são Stark, Lannister, Baratheon, e a quase extinta Targaryen. Estar no trono de ferro, situado em Porto Real, ao sul, pode ser muito útil e muito perigoso, já que todas as famílias almejam a posição e afinal de contas, o inverno está chegando.

Duas coisas interessantes no livro é a presença dos mapas do norte e sul de Westeros, que ajudam ainda mais a imaginar o cenário, e a espécie de biografia das principais famílias que aparecem no decorrer da trama, situadas no fundo do livro. Como só tenho 2 dos livros da série, não posso falar que todos tem essa mesma biografia, mas os que eu tenho, pelo menos, tem. Por mais que você não seja o tipo de leitor que se importa profundamente em imaginar o ambiente em que as cenas acontecem, a riqueza de detalhes na descrição desses cenários te força a prestar atenção nisso, e a sensação é quase como se você pudesse ouvir o som dos cascos dos cavalos batendo no solo…

“O terreno sob os cascos dos cavalos era mole e úmido. Cedia devagar enquanto iam passando por fumarentos fogos de turfa, filas de cavalos e carroças carregadas de biscoito e carne de vaca salgada. Em um afloramento rochoso mais alto que o terreno circundante, passaram por um pavilhão senhorial com paredes de lona pesada. Catelyn reconheceu o estandarte, o alce macho dos Hornwood, castanho em seu campo laranja-escuro.”
                 - Página 422.

É claro que os personagens na série soam muito mais velhos do que realmente são no livro, e a versão televisiva divide Guerra dos Tronos entre a primeira e segunda temporada. As primeiras temporadas, como já comentado pelos fãs da série, são as mais fiéis, o que parece ser uma espécie de tendência nas adaptações televisivas. A variedade e volubilidade do núcleo de protagonistas é também um dos atrativos de As Crônicas de Gelo e Fogo, onde os personagens estão postos numa “roleta-russa”, ou seja: qualquer um, independente do seu grau de importância, pode morrer a qualquer momento.

O primeiro livro começa anunciando as duas primeiras casas, que possuem características e posições geográficas completamente opostas: Stark e Lannister. A gélida e monótona casa Stark é o clã mais poderoso do Norte, com seus lobos gigantes e lições sobre honra e lealdade, enquanto os loiros, belos, ricos e ambiciosos leões da casa Lannister, ao sul, deixam claro todo o seu desejo de poder e notoriedade em seu lema: “Ouça-me rugir.” Ambos os clãs possuem forte ligação com Robert Baratheon, o até então atual senhor dos sete reinos e ocupante do trono de ferro, e a ida de Eddard Stark até Porto Real, aceitando o título de Mão do Rei, torna-se o catalisador de todos os conflitos que se seguem.

Outra característica marcante que é comum a todos os personagens da série é a incapacidade de decidir completamente quem é bom e quem é mau. Todos eles possuem qualidades e defeitos fortes, coisa que se observa com mais frequência na literatura moderna; o caráter maniqueísta de construção do personagem vai sumindo, ao passo em que eles se tornam mais realistas e identificáveis pelo público. Entretanto, esse aspecto se torna ainda mais forte e portanto, será discutido com mais profundidade nas análises dos livros posteriores.

 – Falando em nome das coisas grotescas – disse –, permito-me discordar. A morte é terrivelmente final, ao passo que a vida está cheia de possibilidades.

Quanto à série, há uma preocupação notável em fazer tudo o mais realista possível, respeitando o contexto histórico principalmente em relação ao cenário e figurino. Algo que já vi em algumas séries de época e me incomodou um pouco foi a preocupação com a estética dos figurinos desrespeitar o período histórico da trama, tornando-o mais ''moderno'' e contemporâneo do que realmente é. Entretanto, Game of Thrones é, em todos os sentidos, realista e fiel ao livro, principalmente nas primeiras temporadas.

Para quem não leu o livro, a quantidade de personagens e os jogos de poder que os envolve podem parecer um tanto confusos inicialmente. Falando por experiência própria, só passei a começar a entender a história depois do quinto episódio. Entretanto, o modelo compacto da série, com apenas 10 episódios por temporada, cada um com cerca de 1 hora de duração, é um ponto positivo, já que temporadas com um número muito grande de episódios - apesar da duração ser menor -, mesmo não fazendo diferença para alguns, pode ser moroso e cansativo para outras pessoas (no qual eu estou incluída).

Guerra dos Tronos, tanto o livro quanto a série, surpreende pela qualidade, realismo e várias outras qualidades elencadas aqui. É uma super recomendação de leitura mesmo para aqueles que não são fãs de fantasia, pela mistura entre elementos reais, inspirados em períodos e civilizações presentes na própria história e elementos místicos, tão característicos do gênero.