Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

MINIMALISMO
Resumido

10.10.16

Algumas palavras sobre Westworld

Westworld é um parque temático futurístico para adultos, dedicado à diversão dos ricos. Um espaço que reproduz o Velho Oeste, povoado por andróides – os anfitriões –, programados pelo diretor executivo do parque, o Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins), para acreditarem que são humanos e vivem no mundo real. Lá, os clientes – ou novatos – podem fazer o que quiserem, sem obedecer a regras ou leis. No entanto, quando uma atualização no sistema das máquinas dá errado, os seus comportamentos começam a sugerir uma nova ameaça, à medida que a consciência artificial dá origem à "evolução do pecado". Entre os residentes do parque, está Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood), programada para ser a típica garota da fazenda, que está prestes a descobrir que toda a sua existência não passa de bem arquitetada mentira. A série, produzida pela HBO e criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy, é baseada no filme de mesmo nome, escrito em 1973.   (fonte: adorocinema.com)

Depois de quase uma semana adiando o momento, eu finalmente assisti os dois primeiros episódios da primeira temporada de Westworld ontem, série essa que me atraiu não somente pelas críticas positivas à sua estreia, mas também pelo tom de mistério e complexidade que envolve o enredo em si. Como esta parece ser uma resenha, eu devo avisar previamente que não é, e o que se seguirá abaixo não é uma análise detalhada dos primeiros dois episódios da série, mas apenas as impressões de uma mera espectadora. 

Diferentemente dos comentários que ouvi com notável frequência, o episódio piloto não é algo tão indecifrável quanto parece, e você pode perceber falas e contextos que não apenas ajudam a explicar o enredo, mas também apontam para uma linha de raciocínio que poderá direcionar os acontecimentos futuros da série. Outro aviso necessário aos leitores acerca desse post: é bom que você leia isso depois de ter assistido os episódios. Como se trata de um enredo capaz de despertar diferentes reflexões no público, não quero interferir em sua experiência com o seriado. 

O primeiro episódio aparenta ter uma narrativa sob o ponto de vista dos cientistas que criam o universo de Westworld, o que vai te fornecer uma descrição um pouco mais "técnica" dos andróides - basicamente robôs ultra-evoluídos, com inteligência artificial muito avançada e idênticos a humanos; as equipes de cientistas se dividem desde aqueles que cuidam da manutenção, "fabricação", até aqueles que criam o enredo que vai ser vivido pelos anfitriões. Até então, se sabe muito pouco sobre os novatos, os clientes riquíssimos que visitam o parque e fazem o que bem entendem sem correr risco algum ou sofrer qualquer tipo de represália. 

O primeiro defeito na configuração desses andróides, entretanto, aparece já no episódio piloto, sinalizando para algo que pode se tornar uma importante ameaça: a recuperação de memória. Como os andróides são constantemente configurados de acordo com as mudanças de enredo e a conveniência dos cientistas e clientes, todas as suas memórias de antigas configurações são apagadas no update, o que é especialmente vantajoso e seguro, já que existe um alto risco caso as máquinas se lembrem das barbaridades cometidas pelos novatos.

O segundo episódio, em contrapartida, apresenta uma narrativa que gira em torno dos novatos, e é basicamente a partir desse ponto que a reflexão pode começar para você. Um dos novatos é o Logan - seu sobrenome é desconhecido até o momento - que pode despertar antipatia automática no público, ao mesmo tempo em que o leva a análise. Assim como ele, outros novatos apresentam uma forma de comportamento dentro do parque que reforça uma pauta presente em todos os episódios - e provavelmente em toda a série: maldade humana. As justificativas destes para suas barbaridades em Westworld provavelmente é a mesma justificativa que você usa num jogo violento: "não é de verdade, é entretenimento, não tem importância".  A questão do entretenimento e diversão inconsequente e impensada também pode ser outra coisa que te fará refletir.

Anteriormente citada, a preocupação relacionada a memória dos robôs deixa implícita uma consequência provável, caso isso aconteça: vingança. Em todas as suas configurações anteriores, os robôs foram submetidos a violência desenfreada por parte dos clientes, ao mesmo tempo em que sua inteligência e emotividade artificial lhes permitia sofrer suas perdas. A partir do momento em que a série aponta para um comportamento tão humano quanto a vingança, há a possibilidade de que esses robôs tenham evoluído o suficiente para se tornarem parecidos "demais" conosco.

Ambas as temáticas que envolvem Westworld com certeza não são inéditas ao público, mas a forma como são exploradas pode tornar um assunto já visto especialmente perturbador. Passível a diferentes interpretações, pontos de vista e análises, Westworld é aquele tipo de série que jamais vai deixar o público cair numa zona de conforto.