Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

25.7.17

Um Brasil fascista?

Não, esta não é uma análise política a la textos do facebook; ainda falamos de literatura por aqui.


Recentemente eu migrei para o Wattpad, a plataforma que promete revelar novos escritores e suas obras inéditas ao público literário sem custo algum para o autor e leitor. Minha curta trajetória pelos contos, livros de ação e romance, poesias e todo o tipo de gênero que se possa imaginar me levou aleatoriamente ao “Brasília Sitiada”, um pequeno enredo de 5 capítulos que traça uma imagem um tanto distópica para o país no futuro; nada de prédios fumegando ou arenas construídas para entretenimento macabro, o Brasil de Saulo Oliveira vai muito bem sob um ponto de vista superficial.

Depois de uma noite conturbada, João acorda numa Brasília de outra dimensão; nesta versão da capital brasileira, um golpe militar deu origem a uma ditadura com características muito parecidas ao Nazi-Fascismo da primeira metade do século XX. Ufanismo, símbolos e saudações ao ditador, o zelo pela imagem de ordem e estabilidade necessárias para afirmar o governo com algumas doses de humor, concentradas na bagunça que se tornaram as realidades paralelas. De funcionário público a idealizador do novo governo, o protagonista tenta não enlouquecer em meio a mudanças tão abruptas enquanto o leitor acompanha, com um sorriso no rosto, a trajetória de resolução — ou só sua tentativa — para os conflitos apresentados.

"[...] É uma nação de falsos moralistas porque tiveram sua cultura mental bitolada por uma única emissora que sempre foi o câncer dessa porra. Não sabem nem escolher. Por isso eu escolho. Eu tomo as decisões porque a democracia já falhou há anos. Eu sou a democracia. [...]" 

O conto retrata, entre outras coisas, uma sociedade satisfeita pela segurança e nacionalismo, apesar de ter suas liberdades cerceadas. A narrativa, que faz menção até em tecnologia espacial, é despretensiosa, com um cenário repleto de fatos propositalmente improváveis; o autor não tenta fazer uma previsão do que será o Brasil em 2028, mas imprime nos personagens frases corriqueiras e raciocínios que atualmente são comuns e até aceitáveis em alguns círculos. Estes são exatamente os pontos em que o sorriso do leitor — anteriormente mencionado — se transforma em seriedade: a partir do momento em que se percebe que a realidade de Brasília Sitiada é, ao mesmo tempo, tão distante e tão próxima da nossa.

Redes sociais do autor: